segunda-feira, 14 de abril de 2008

Coxipones e IMG exibem filme sobre a Guerrilha do Araguaia


“Araguaya - a conspiração do silêncio”, filme de Ronaldo Duque, será exibido nesta terça-feira (15.04), às 9 horas, no Centro Cultural da UFMT. A iniciativa é uma realização do Cineclube Coxipones e do Instituto Maurício Grabois (IMG), com apoio da União Brasileira de Mulheres (UBM), União da Juventude Socialista (UJS) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).


O presidente do Instituto Maurício Grabois (IMG), jornalista e poeta Adalberto Monteiro, estará presente na sessão. Maurício Grabois foi o grande comandante da Guerrilha do Araguaia, na qual se inspira o filme.


O filme conta a história do movimento armado contra a ditadura militar (64-85) comandado pelo Partido Comunista do Brasil, entre 1972 e 74, sob a ótica de um religioso francês que chega ao Brasil nos anos 60, presenciando a formação da Guerrilha do Araguaia. O recém-falecido ator Norton Nascimento interpreta o célebre guerrilheiro Osvaldão, um dos líderes da guerrilha.


O elenco tem ainda Françoise Forton (Dora), Danton Mello (Carlos), Narcisa Leão (Lúcia), Stephane Brodt (Padre Chico), Fernanda Maiorano (Tininha), Rasanne Holland (Alice), Rômulo Augusto (Flávio), William Ferreira (Juca), Cacá Amaral (Mário), Cláudio Jaborandi (Cabo Abdon, Humberto Pedrancini (General Mamede), Fernando Alves Pinto (Tenente Álvaro), Pablo Peixoto (Geraldo) e Adriano Barroso (Anselmo).


Sinopse


O exército brasileiro no auge da ideologia da segurança nacional, um partido de esquerda dissidente, militantes aguerridos (a maioria deles ainda jovens e inexperientes), inocentes camponeses e uma região onde a ambição e a miséria disputavam lugar palmo a palmo. É neste cenário que está o Padre Chico (Stephane Brodt), um religioso francês que chegou à região do Araguaia no início dos anos 60. A profunda identidade de Padre Chico com as pessoas da região, associada ao seu sentimento religioso e dúvidas existenciais, fazem com que o religioso presencie os eventos ligados à formação da Guerrilha do Araguaia.


quarta-feira, 9 de abril de 2008

PCdoB na TV defendeu cidades mais humanas e as reformas democráticas

4 DE ABRIL DE 2008 - 10h25



A defesa de Cidades Mais Humanas e das Reformas Democráticas foi a marca do Programa do PCdoB no rádio e na TV que foi ao ar em cadeia nacional nesta quinta-feira, 03 de abril. Durante o programa, foi divulgado um telefone gratuito para as pessoas entrarem em contato com o PCdoB de qualquer lugar do Brasil: 0800-7726510.





O objetivo principal do PCdoB com a veiculação do programa político – uma conquista do movimento democrático em nosso país – é reiterar os compromissos dos comunistas com o aprofundamento das mudanças em curso no Brasil, implementadas a partir das vitórias das forças progressistas em 2002. Ao mesmo tempo, procura-se demonstrar que ainda há muito que fazer para reverter a situação estrutural de injustiça social, marca maior de nossa realidade histórica.



No mês em que se comemoram os 50 anos do surgimento do movimento da Bossa Nova, o compositor Carlos Lyra homenageou abriu o programa com a música “Samba, amor e socialismo”, num canto de esperança de que é possível construir um mundo melhor.



A apresentação do programa ficou a cargo da deputada federal do PCdoB pelo Rio Grande do Sul, Manuela D'Ávila, que com sua experiência jornalística e parlamentar deu uma cara jovem e moderna aos dez minutos do vídeo em cadeia nacional.



Várias lideranças destacadas do PCdoB apresentaram para a população brasileira o pensamento e as linhas de ação partidárias para enfrentar os problemas que afligem as grandes cidades do Brasil, especialmente as capitais. Ao lado disso, o programa revelou a atividade do PCdoB em cargos executivos, especialmente em Aracaju e Olinda, cidade patrimônio da Humanidade, onde o partido vem se mostrando cada vez mais qualificado e experiente para governar os municípios brasileiros.



Por cidades mais humanas


O deputado federal por São Paulo, Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara dos Deputados, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, a deputada federal por Minas Gerais e líder da bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, Jô Moraes, a atual secretária municipal de Ciência e Tecnologia de Niterói, Jandira Feghali e a vereadora do PCdoB de Salvador, Olívia Santana, aparecem no programa. Todos defenderam maiores investimentos em moradia, transporte, educação, saúde e saneamento básico, para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, tornando nossas cidades mais humanas.



O deputado federal do PCdoB do Maranhão, Flávio Dino, trata das prioridades do partido em relação à reforma urbana e qual tem sido o papel do governo Lula no investimento de mais de 150 milhões de reais na área de infra-estrutura dos municípios.



Reformas democratizantes


O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, reiterou que essas mudanças somente se consolidarão caso tenhamos um processo real de reformas democratizantes, em particular as reformas urbana e tributária. Rabelo defendeu o movimento pelas seis reformas democráticas no país (Reforma Urbana, Tributária, Agrária, Política, da Educação e Democratização da Mídia) relatando que desta já participam cinco partidos populares (PCdoB, PT, PDT, PSB, PR) que se reuniram em Brasília, no mês de março, para debater e organizar a contra-ofensiva às forças reacionárias e de direita que procuram atacar sistematicamente o governo Lula e sua base parlamentar.

Acesse o programa através deste link, http://br.youtube.com/watch?v=TE7x5bCKFbI

Aumento de juros é desnecessário e nefasto ao crescimento

8 DE ABRIL DE 2008 - 15h31


O Banco Central, o setor financeiro, a grande mídia e forças políticas conservadoras preparam o ambiente para uma nova elevação da taxa de juros – armadilha que, se não for desarmada, repercutirá negativamente na trajetória de crescimento econômico patrocinada pelo governo Lula, e poderá provocar adiante uma crise no balanço de pagamentos do país. Não se trata de uma decisão corriqueira, ao contrário, é fundamental para definição dos rumos do país.



Por Renato Rabelo*



Em que pese os efeitos da crise econômica estadunidense, o momento econômico pelo qual passa o país é razoavelmente bom, de relativa estabilidade. O crescimento reapareceu mais forte em 2007, sustentado na elevação do investimento e do consumo doméstico, no aumento da produção industrial e agropecuária. A inflação apresenta índices moderados, compatíveis com o crescimento interno atingido e com os parâmetros internacionais.


Há um aumento significativo no consumo – de massas e produtivo – a partir dos aumentos reais do salário-mínimo, do crescimento da massa salarial, de maiores facilidades de crédito – onde o sistema público se destaca – e mesmo dos programas sociais do governo. O país tem atraído um bom volume de investimentos estrangeiros diretos. O PAC ganha agilidade e as obras do governo se multiplicam.


No plano externo, o Brasil firma uma via soberana de integração no mundo em transição em que vivemos. É uma rota que leva ao desenvolvimento do potencial energético e alimentar, à retomada industrial e ao aprofundando da integração regional.


Há, no entanto, preocupações sérias por parte do PCdoB e de outras forças progressistas em torno de problemas urgentes. Entre eles a luta entre dois caminhos no plano econômico – o desenvolvimento robusto, com crédito amplamente acessivel e distribuição de renda versus o crescimento econômico contido, sustentado por juros altos permenentes, em benefício dos rentistas e especuladores. Realidade que pressiona o governo do presidente Lula desde seu início e que volta a se manifestar com força. Este recrudescimento se dá no debate sobre análises de indicadores e tendências no quadro econômico atual, mas não se limita a isto. Incide mesmo sobre os rumos que o país deverá seguir em futuro próximo, envolvendo e preparando as eleições de 2010, refletindo interesses contrários.


Já há algum tempo o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) interrompeu a trajetória de queda da taxa de juros básica, a Selic, mantendo-a no patamar dos 11,25% ao ano. Agora, em seu Relatório da Inflação divulgado recentemente, o BC dá a entender que subirá os juros na reunião de 15 e 16 de abril. Sustenta haver pressões inflacionárias causadas pelo aumento do consumo sem a proporcional capacidade de produção da economia. Fiel à cartilha monetarista conservadora, conclui, então, pelo aumento dos juros.


Todavia, por um lado, dados da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) desmentem a argumentação do BC. Embora, sim, o consumo tenha crescido pelo crédito e pela melhora dos rendimentos, a capacidade não utilizada da indústria ainda varia entre 17 e 15%. Por outro lado, economistas de variadas tendências têm questionado os prognósticos do BC, como os professores Gonzaga Belluzzo e Delfim Netto. Argumentam não haver motivo para alarde, uma vez que a estimativa apontada para a inflação é 4.6%, enquanto o centro da meta fixada é de 4,5, diferença irrisória, portanto.


As taxas de juros brasileiras já se situam entre as maiores do mundo, o que tem provocado uma avalanche de dólares em direção ao Brasil – uma parte dos quais capital especulativo, de curto prazo. Diante disso, o governo se vê obrigado a comprar grandes quantias de divisa estadunidense para tentar conter a valorização do Real, diminuindo as pressões sobre o câmbio. Isto permite o aumento das reservas internacionais. Mas, ao mesmo tempo, resulta em fenômenos colaterais indesejáveis.


O primeiro deles é o reaparecimento dos déficits em conta corrente. O câmbio valorizado tem levado à diminuição dos superávits comerciais. Nos dois primeiros meses do ano em curso, o saldo comercial foi de US$ 1,8 bilhão, 67,1% menor que o de janeiro e fevereiro de 2007. Além disto, o crescimento nas remessas líquidas nas contas de serviços (juros, transportes) e rendas (lucros e dividendos) ajuda a cavar o buraco.


A conseqüência dessa dinâmica é o desequilíbrio do balanço de pagamentos do país. O BC já calcula para 2008 um déficit em transações correntes de 12 bilhões de dólares. O reaparecimento dessa tendência aponta a possibilidade de o Brasil ser exposto à vulnerabilidade externa, semelhante ao período do segundo governo FHC.


Uma outra questão relevante é o fato de a relação dívida/PIB manter-se alta. Mesmo com a considerável elevação do PIB, a dívida pública tem subido uma vez que ela, em boa medida, é indexada à Selic. Além disso, há uma quantidade crescente de títulos que o governo é obrigado a emitir para “esterilizar” o mercado, o que consiste em retirar de circulação os reais com os quais compra dólares.


E o terceiro fenômeno é que a elevação da taxa de juros propiciará um aumento ainda maior da especulação contra o Real. O mercado opera com o diferencial das taxas de juros externa e interna numa ponta e, noutra, aposta na valorização do Real ganhando com a compra de papéis garantidos por mecanismos da ciranda financeira.


Nesta questão é bom levar em conta opiniões como as de H. Flassbeck, atual economista-chefe da Unctad: “a valorização da moeda brasileira está sendo resultado não apenas dos bons fundamentos da economia do País, mas, principalmente, da entrada de capital externo em busca de ganhos com a taxa de juros (...) essa situação não é sustentável para as exportações brasileiras no médio prazo”.


Nessas circunstâncias, o BC – ao defender o aumento dos juros – revela a falsidade de sua proclamada “independência”. Expõe abertamente seus vínculos com os interesses do sistema financeiro, que é quem realmente dá a linha a ser seguida.


Em suma, o aumento dos juros agora, se efetivado, seria danoso e desnecessário. Seria um sinal para frear o desenvolvimento em curso, com seu cortejo de perdas sociais e políticas. Serviria apenas para favorecer o capital especulativo e, em perspectiva, para colocar em risco conquistas econômicas e sociais da gestão do presidente Lula. Tudo o que deseja a direita neoliberal para tentar reaver o governo da República em 2010.


Não há motivos, portanto, para o governo Lula se submeter a essa chantagem que prevê “ou juros astronômicos ou escalada inflacionária”. O dualismo do BC é, na verdade, uma armadilha para aprisionar o governo.


Por tais razões, o PCdoB, neste momento decisivo, explicita sua posição contrária à elevação da taxa de juros. E conclama as forças progressistas, e também os movimentos sociais, a se pronunciarem e se mobilizarem para tentar impedir que se concretize esse erro decorrente da pressão dos poderosos círculos financeiros. Do nosso ponto de vista, o desenvolvimento brasileiro requer juros mais baixos, medidas de proteção contra a especulação e um câmbio (contra o câmbio flexível absoluto) que ajude a manter o país no caminho da soberania, do crescimento e da distribuição de renda.


* Presidente nacional do PCdoB.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

PCDOB REALIZA HOJE A 1ª PLENÁRIA METROPOLITANA

Hoje, 05 de abril, o PCdoB realiza a 1ª Plenária Metropolitana, isto mesmo, as direções: Estadual e as municipais de Cuiabá e Várzea Grande decidiram realizar as suas plenárias unificadas, como resultado teremos um grande evento envolvendo as duas maiores cidades do Estado.

Segundo o Presidente do PCdoB de Várzea Grande, o Camarada Laércio, os comunistas vão atravessar a ponte do rio Cuiabá em peso, a mobilização em VG e também em Cuiabá contam com um reforço dos (as) pré-candidatos (as) do partido.

Agora é esperar as 14h para dar-mos inicio a nossa grande plenária, com a participação do Camarada do Comitê Central André Bezerra. A novidade será a projeção do programa do partido que foi em rede nacional de TV no dia 03 de abril.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Esta Chegando a nossa Plenária.

Faltam 03 dias para a realização da 1ª Plenária de filiados, militantes, simpatizantes, amigos e eleitores do PCdoB de Cuiabá. É grande a expectativa de reunir no próximo dia 05 de abril na Adufmat (UFMT) a partir das 14h dezenas de pessoas para debater e conhecer as propostas do PCdoB para as reformas democráticas e o projeto eleitoral para 2008.

Muitos já confirmaram presença, inclusive o Presidente Estadual do PCdoB Miranda Muniz; no evento o PCdoB também irá receber novas filiações e fará recadastramento dos já filiados.

Temos um encontro marcado para o próximo sábado, todas e todos à Plenária do PCdoB, depois do evento vamos fazer aquilo que também sabemos, um bom bate-papo com uma música gostosa.

PCdoB na TV -dia 03 de Abril.


Este é o 31º programa institucional do partido, desde que o horário político gratuito foi instituído por lei em 1986. Para o secretário naconal de comunicação do PCdoB, Altamiro Borges, "esta conquista democrática é o maior instrumento de comunicação de massas existente atualmente no país."

Segundo recente pesquisa do Ibope, o programa atinge 49,2 milhões de telespectadores. "É a forma mais massiva e eficiente do PCdoB levar suas idéias a amplas parcelas da sociedade, fortalecendo sua imagem e conquistando novos filiados", complementou.

O programa do dia 3 tem 10 minutos. As inserções, de 30 segundos, são dez em cada um dos dias. Elas vão ao ar entre as 19h e 22h.

Clomar Porto

sexta-feira, 28 de março de 2008

Assassinaram um estudante. Ele poderia ser seu filho

26 DE MARÇO DE 2008 - 20h37

por Augusto Buonicore*


O assassinato de estudantes não era novidade durante o regime militar. Mas, naquele final de março, a morte de um garoto de 18 anos, durante uma manifestação, galvanizaria a oposição democrática e popular e daria início o maior movimento de contestação à ditadura desde a sua implantação em 1964.


Um tiro na tarde


Tudo começou com uma manifestação de estudantes contra o preço e as más condições do restaurante Calabouço. Esta não foi o primeiro protesto daqueles jovens que, em geral, eram secundaristas e filhos de famílias empobrecidas. Muitos, além de suas refeições, faziam ali pequenos serviços para complementar sua renda. Portanto, o seu perfil era muito diferente daqueles que freqüentavam as universidades brasileiras.


Os manifestantes do Calabouço, como de hábito, foram atacados pela Polícia Militar. Mas, desta vez, eles não estavam dispostos a apanhar ou correr, como vinham fazendo desde 1964. Por isso, tomaram a corajosa decisão de reagir e o fizeram com paus e pedras. A polícia, desprevenida e assustada, recuou diante desse primeiro confronto. Logo em seguida voltou à carga com redobrada violência, utilizando-se de bombas de efeito moral e tiros. A ordem para a fuzilaria partiu do general Osvaldo Niemeyer Lisboa. No conflito que se estabeleceu um rapaz caiu mortalmente ferido. Seu nome era Edson Luís de Lima e Souto e a data 28 de março de 1968.

Artur Poerner, no seu livro “O poder jovem”, resumiu assim a breve vida do jovem assassinado: “Tratava-se de um menino ainda – completara 18 anos no dia 24 de fevereiro -, parecia baixinho, a pele morena e os cabelos bem pretos e lisos de caboclo nortista. Os dentes – tinha-os estragados, como a maioria dos jovens de nosso país. Órfão de pai, viera, há três meses, de Belém do Pará, para cursar o Instituto Cooperativo de Ensino, anexo ao Calabouço, onde passava a maior parte do dia, inclusive auxiliando em serviços burocráticos da secretaria e de limpeza no estabelecimento, pois não conseguia emprego. As esperanças que o trouxeram ao Rio estavam ali agora, transformadas no sangue que manchava a caminha branca empunhada pelos seus colegas”.

O oficial que comandava a tropa, sem medo de parecer ridículo, afirmou que a “Polícia Militar atirou por se encontrar numericamente em situação inferior aos estudantes, inclusive em quantidade de armas”. Niemeyer foi afastado de seu posto para que as investigações pudessem ser feitas de maneira isenta. No entanto, ninguém seria punido pela morte do estudante. A impunidade para os “crimes do Estado” seria uma das marcas do regime instalado em 1964.

Em editorial, o Correio da Manhã, revelava toda sua indignação: “Não agiu a Polícia Militar como força pública. Agiu como bando de assassinos (...) A Guanabara, cidade civilizada e centro cultural do Brasil, não perdoará os assassinos”. O general-presidente, Costa e Silva, quando assumiu o cargo, no começo de 1967, prometeu solenemente abrir o diálogo com os trabalhadores e estudantes descontentes. Acenou até mesmo com a possibilidade da eleição de um civil em 1971. Meses mais tarde ficou claro que o único diálogo que o regime conhecia era o da violência.

Os estudantes se recusaram a entregar o corpo de Edson Luís à polícia, temendo que pudesse desaparecer. Por segurança, ele foi levado para a Assembléia Legislativa onde se realizou uma longa e tensa vigília. O governo estadual proibiu a presença da PM no local, mas ela desobedeceu às ordens e realizou atos de provocação, atirando bombas de gás lacrimogêneo e prendendo populares. O clima ficou explosivo.

A notícia da morte do estudante correu de boca em boca. As escolas e teatros cariocas fecharam suas portas. “A impressão que se tem hoje, evidentemente exagerada, é de que todo o Rio de Janeiro passou pelo velório. Nunca a Assembléia havia recebido a visita de tantas celebridades”, escreveu Zuenir Ventura. As filas eram intermináveis e também os discursos. Coroas de flores chegavam a todo momento. Um espírito de indignação tomou conta da cidade. Mataram um estudante. E agora?

Neste luto, começa a luta

O enterro de Edson Luís foi a primeira grande manifestação contra o regime militar. Mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas numa última homenagem ao estudante morto. Eram universitários, secundaristas, professores, artistas, clérigos e profissionais liberais. Havia também muitos elementos populares. Uma faixa se destacava: “Assassinaram um estudante. Ele poderia ser seu filho. Das janelas caiam flores e papel picado. Parecia uma reprodução da “marcha da família com deus pela liberdade” com sinais invertidos. Foi a explosão das frustrações de amplos setores das classes médias que haviam apoiado o golpe - em nome da liberdade e da luta contra a corrupção – e agora viam suas expectativas traídas.

No cortejo os estudantes, como de praxe, queimaram uma bandeira dos Estados Unidos e cantaram o hino nacional. Sob o caixão foi colocada a bandeira brasileira. Nada mais justo, o corpo do pequeno Edson, naquele momento, representava o grito represado de toda uma nação.

Diante da casa de Carlos Lacerda ouviram-se vaias e gritos de “fascista” e “abaixo a frente ampla” **. Sinais evidentes da radicalização que vivia o movimento estudantil, particularmente sua vanguarda, sob hegemonia da Ação Popular e de setores de extrema-esquerda dissidentes do PCB. Ironicamente nas semanas seguintes o governo militar acusou a Frente Ampla e Lacerda de incentivarem aquela manifestação.

Sem condições de reprimi-la, o regime tentou esconder a manifestação. Naquele final de tarde as luzes da cidade, misteriosamente, não foram acesas. Esforço inútil. Durante todo o trajeto, os motoristas acendiam os faróis e muitos comerciantes forneciam velas e lanternas. A multidão transformava os jornais em archotes, que queimavam rapidamente. O improviso acabou dando mais grandiosidade à cena. Ninguém esqueceria aquele dia. No final, a massa presente fez um juramento solene: “Neste luto, começou a luta!”.

A notícia do assassinato de Edson Luís teve impacto na maioria dos estados, inflamando o movimento estudantil e oposicionista. Em Goiânia a Polícia Militar invadiu a Catedral Metropolitana, ferindo à bala vários estudantes. O secundarista e engraxate Ornalino Cândido da Silva de apenas 16 anos veio a falecer. Ele parecia muito com uma das principais lideranças secundarista da cidade: Euler Ivo. Isso criou certa confusão quanto à identidade do morto.

Em Brasília também ocorreram confrontos violentos entre estudantes e policiais. Outro jovem levou um tiro no peito. Nos dois casos, seguindo o exemplo dos cariocas, os estudantes enfrentaram a polícia com pedras e paus. Para os estudantes brasileiros a fase de só fugir ou apanhar havia passado. “Dente por dente, olho por olho” era a nova palavra de ordem que surgia nas ruas.

A morte também provocou cisão nas próprias fileiras golpistas. No dia seguinte ao assassinato, o General Mourão Filho – presidente do Superior Tribunal Militar e o principal expoente do golpe de 1964 – declarou: “É incrível que a polícia atire contra estudantes, em uma democracia. Estou indignado, fora de mim, com tais acontecimentos (...) quando se permite que policiais atirem contra estudantes, não podemos ficar tranqüilos em casa, pois fatos como esses poderiam atingir qualquer pessoa de nossas famílias”.

Lacerda, rompido com o regime desde 1965, aproveitou-se do momento para elevar o tom de suas críticas. “A violência tornou-se norma nas relações entre o governo e o povo. (...) Ninguém deseja a baderna, mas ninguém suporta a crueldade e a covardia. É inaceitável que o Exército trate os estudantes como uma horda de inimigos”. Continuou ele: “O Brasil está ultrajado pela orgia da violência (...) É tempo de fazer a revolução pela qual a mocidade anseia, a revolução pela educação e o voto”. Em breve ele constaria da lista de novas cassações.

1º de abril: Nada a comemorar

O próximo encontro entre estudantes e a repressão já estava marcado. Seria quando das comemorações do quarto aniversário do golpe militar. No dia 31 de março o general-presidente Costa e Silva, com as mãos sujas do sangue de dois estudantes secundaristas, afirmou: “Eles querem sangue, mas o país prosseguirá sem sangue porque não estamos com a idéia de violência. Nós queremos a paz”. Paz era uma coisa que não haveria nos dias - e anos - que se seguiriam.

O Correio da Manhã narrou o que aconteceu no dia seguinte: “Por cinco horas e meia (...) mais de cinco mil elementos da PM agrediram, com violência nunca vista, estudantes e populares participantes do movimento de protesto na Guanabara” Continuou o jornal: “O Rio converteu-se num campo de batalha. A polícia caçava pelas ruas estudantes, intelectuais e homens do povo, como se fossem representantes de uma nação inimiga”. Um detalhe: desta vez o número de policiais ferido foi tão grande como o de civis. Afirmou Zuenir Ventura: “poucas vezes a polícia apanhou tanto no Rio de Janeiro”.

Segundo Poerner, 60 manifestantes e 39 policiais ficaram feridos e mais de 321 pessoas foram presas. Mas, a luta continuava bastante desigual: pedras contra balas. Outros dois jovens tombaram mortos na Guanabara: David de Souza Neiva e Jorge Agripino de Paula. Outros quatro ficaram feridos à bala. O I Exército ocupou as ruas da cidade e o general Costa e Silva ameaçou: “custe o que custar a ordem será mantida”. Falava-se na decretação do Estado de Sítio e mesmo na promulgação de um novo ato institucional, ainda mais draconiano que os anteriores. Este era o único diálogo que a ditadura conhecia.

A missa de 7º dia pela morte de Edson Luís também foi marcada pela violência. Como se preparasse o cenário para uma tragédia, o governo decretou ponto facultativo e feriado bancário. Foi sugerido aos comerciantes que não abrissem suas lojas. Desde as primeiras horas, a cidade foi tomada pelo exército. Havia um odor insuportável de pólvora saturando o ambiente. Na missa da manhã, encomendada pela Assembléia Legislativa e ocorrida na Candelária, as pessoas foram cercadas e massacradas pela cavalaria quando saiam pacificamente da igreja. A mesma coisa ameaçava se repetir à noite.

Dom José de Castro Pinto, vigário-geral, foi pressionado para que a missa da noite não ocorresse. O clérigo se manteve firme e realizou o ato religioso ao lado de mais 15 padres. Nas ruas que davam acesso à igreja, policiais e soldados intimavam os que desejavam entrar. Precisava ter muita coragem para romper o cerco armado e muitos tiveram. Bombas de gás lacrimogêneo eram lançadas a esmo. O cheiro do gás tomou conta do interior do templo que estava completamente lotado. Todos ali temiam pelo pior. A Candelária era uma verdadeira praça de guerra.

Visando proteger os que saiam da igreja, os padres formaram um cordão de isolamento que separava o povo dos cavalarianos enfurecidos. À frente do estranho cortejo estava o vigário geral. Apenas quatro anos antes a cúpula da igreja católica abençoava os golpistas e agora protegia os contestadores do regime. As coisas, realmente, estavam mudando no país.
A Frente Ampla – rechaçada pelos estudantes no enterro de Edson Luís – pagaria a conta pelos acontecimentos daqueles dias. Em abril, no dia seguinte a missa, uma portaria do Ministro da Justiça proibiu sua existência. Estabeleceu a prisão de quem, estando banido ou cassado, fizesse qualquer pronunciamento político. “O governo foi ao cerne da crise estudantil ao decidir proscrever a Frente Ampla, jogando-a na clandestinidade. As manifestações de rua provaram que a semeadura da Frente Ampla estava caindo em terreno favorável (...) A linha da agitação correspondeu inteiramente à linha de ação política da Frente Ampla”, afirmou alguém ligado ao regime.

A morte de Edson Luís ocasionou uma mudança de posição política das classes médias em relação ao movimento estudantil. Passaram a reconhecer nele um certo papel de vanguarda de suas aspirações democráticas. De um apoio difuso passou-se a um apoio ativo.
Após a missa, a diretiva da União Metropolitana dos Estudantes foi para que os estudantes voltassem para dentro das universidades. Vladimir Palmeira, presidente da entidade, afirmou: “Ultrapassada a última fase de manifestações a palavra de ordem é retornar às escolas, promovendo assembléias para o debate político dos acontecimentos e para a estruturação das medidas necessárias ao atendimento das reivindicações específicas da classe estudantil”.

O recuo foi provisório. Dentro de mais alguns meses o movimento estudantil e popular tomaria novamente as ruas nos maiores movimentos de enfrentamentos à ditadura militar: a sexta-feira sangrenta e a passeata dos cem mil. Esse é assunto para alguma de minhas próximas colunas.

Notas
Tratarei das razões mais profundas da crise política que eclodiu no Brasil em 1968 num artigo que sairá no próximo número da revista Princípios.

A Frente Ampla foi criada em 1966 e congregava personalidades políticas oposicionistas de diversas matrizes ideológicas, como Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart. A presença de Lacerda, um antigo golpista, levava que setores de esquerda alimentassem desconfiança em relação a ela.

Bibliografia

Dirceu, José e Palmeira, Vladimir – Abaixo a ditadura: movimento de 68 contado por seus líderes, Ed. Garamond, 1998.
Martins Filho, João Roberto – Movimento estudantil e ditadura militar (1964-1968), Ed. Papirus, 1987, SP.
Poerner, Artur J. – O poder jovem, Ed. Civilização brasileira, 1979.
Reis Filho, Daniel Aarão e Moraes, Pedro de – 68: a paixão de uma utopia, Ed. FGV, 1988
Saes, Décio – Classe medis e sistema político no Brasil, T.A Queiroz Editor, SP, 1985
Sanfelice, José Luís – Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64, Ed. Autores Associados, 1986
Sirkis, Alfredo – Os carbonários: memórias da guerrilha perdida, Ed. Global, 1992.
Skidmore, Thomas – Brasil: de Castelo a Tancredo, Ed. Paz e Terra, SP/RJ, 1994
Valle, Maria Ribeiro do – 1969: o diálogo é a violência, Ed. Unicamp, 1999.
Ventura, Zuenir – 1968: O ano que não terminou, Ed. Nova Fronteira, 1988.
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*Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp